terça-feira

Lua dentro da tarde

A lua dentro da tarde nos desassossega por sua majestade sempre nova. É como se aquele satélite fosse a presença viva das coisas do espaço. As estrelas renovam a luz que cresce também dentro dos olhares, por isso nos mantemos apaixonados, sempre renovados por alguma coisa de enigma que nos assusta. A lua poderia ser uma mulher para nos amamentar; poderia ser um homem, para que confiássemos nossos sonhos. Mas parece, na verdade, que é tudo, pois não está a um palmo acima das cabeças. Por isso sonhamos alto demais, na mulher que se ama humildemente de amor; no homem que se irmana na construção de um algo que não se pode dizer, tem-se que viver. 384.405 km do nosso planeta, e ainda desenhamos no pensamento suas crateras de impacto que um labirinto de gás e poeira e asteróides delineiam e nos impressiona como se sempre fosse a primeira vez que a víssemos. A lua dentro da tarde é uma curva entre o que nos leva ao céu dos nossos sonhos e a assustadora presença de sempre vê-la.


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