terça-feira

Relvas do Tempo IX


deserto imensurável
e tudo mais ermo
o indeterminado de agora

segunda-feira

Relvas do Tempo VIII


na aventura solitária de uns versos
as flores que colho são simples metáforas

domingo

Relvas do Tempo VII


me invento de passarinho
para também beijar o céu

Relvas do Tempo VI


as palavras: o conflito
fora de si

quinta-feira

Relvas do Tempo V

 

a tentação da quimera:
o desconhecido

Relvas do Tempo IV


a funcionalidade da madrugada:
o silêncio a si mesmo

Eterno ou Instante

Por um instante qualquer temos a impressão de um algo novo, e tudo o que é velho desaparece. O amor. E se fosse o contrário? Por um instante eterno vivemos a certeza das raízes, e tudo o que é novo desaparece. O Amor. Mas, somos impelidos às coisas “novas”: esquecer um nome, beijar algum alguém, esvaziar o sentido lotando-o de sempre um algo mais novo. Amargura é uma palavra que se carrega nos ombros, não é significante, há significado, porém, é mais carne, caminhada, despertar. E também nasce de um algo novo. E também se enraizou num algo “velho”. E quanto ao peso? A “nova amargura” é um algo impreciso para onde nos impelimos, mas também é fácil esquecer, uma amargura nova a substitui. A “velha amargura”, aquela que tem um sabor crescente dentro do peito, nos faz refletir, um momento qualquer do dia é uma eternidade por dentro dessa infiltração ao longo do tempo. É também um sentimento afetado de falta, um algo indefinível que falta, um algo impreciso até que se tome uma atitude. O amor novo torna-se velho cada vez que se ama. Um amor velho e verdadeiro torna-se novo cada vez que se ama.