quarta-feira

Intermitências interioranas


O tempo não seria uma parábola para a vida que quase para no interior, se não fosse o tempo escorregando até as beiradas da tarde. Mas se ilude quem vê assim. O que antes é um sono pesado, tarde de se acordar, não percebe o quanto já se amanheceu. Os pássaros têm uma predileção pelas coisas da manhã, o homem confuso da cidade, pelas coisas da noite. Os pássaros amanhecem criando, o homem destrói-se escalavrando algo pela madrugada deserta. Um domingo de manhã cedinho no interior é um céu enorme, divagando na respiração das nuvens. Há uma pausa enorme para quem vai para lá. O corpo começa a ganhar a forma do eu, talvez por ser a unidade mais desordenada para se analisar, pois as coisas do interior têm as suas formas precisas, serenas e sensatas. O eu carrega-se de labirintos, formas de não conhecer-se, mas a ordem do amanhecer no interior é uma força que se reflete no sol ganhando a manhã.

Nenhum comentário:

Postar um comentário