quarta-feira

Relvas do Tempo I


as palavras me escondem
dentro de um céu crescente

Um comentário:

  1. ILHA DAS ÁGUIAS
    by Ramiro Conceição


    Cantam cantos antigos
    que o Mal é ardiloso
    e que, sedutor, ilude a platéia
    que, por ter os caninos escuros
    com sangue de assassinatos cometidos,
    não percebe - por medo - a insensatez.

    Cantam sonhos longínquos
    que o Mal é a raiz da culpa
    que impede esta monada,
    desde a tenra idade,
    à iluminação, à Humanidade,
    ao cuidado desta Terra única.
    Cantam que tudo em nós é fruto
    duma moral hipócrita e repressora
    e que tudo sempre termina
    num medíocre e terrível engano
    colossal de templos e religiões:
    uma manada de anões primatas,
    bambos, prontos pra assassinar
    quem ouse à alegria de duvidar.

    Cantam cantos modernos
    que a nossa civilização
    judaico-cristã-muçulmana,
    por ser estupidamente desumana,
    possui a face dum quadro de Picasso:
    o lado esquerdo em cisalhamento ao direito
    tal qual o desespero em gritos dos ciprestes
    destorcidos das telas de Van Gogh.

    Cabe aqui uma pergunta.
    Fomos, somos e seremos somente
    caretas, caricaturas e canalhas
    dum bando de micos amestrados?

    Cabe aqui uma resposta.
    Por herança da evolução,
    somos um milagre repleto
    de coragem.
    Mas coragem pra quê?!
    Para cantar e permitir
    a continuidade da vida
    nesta casa bendita.

    Portanto canto e declaro
    claramente que somos parte
    das consciências do futuro,
    do passado e do presente
    em processos de passagem;
    canto e declaro
    claramente que a diferença
    entre um bem-te-vi e Einstein
    é simplesmente a maneira
    diferente do bater de asas.

    O amor é o senhor da Terra!
    E não há diferença qualquer
    entre a mulher, que nos braços
    seus filhos queridos abraça,
    e o Sol, que com nove braços
    seus filhos queridos entrelaça
    (Plutão não é um bastardo!).

    Dizem que sou de aquário
    pois ao sonhar às vezes rio,
    a crer que do nosso aguadeiro
    florescerá a sinfonia do amor
    que será cantada e amada
    em estelares línguas claras.

    Porém, confesso: sou um contumaz
    devorador de astrólogos à milanesa
    regados — é claro— à muita cerveja.
    Contudo, lúcido, continuo a declarar
    que o amor não necessita de templos
    e que nunca será de pouquíssimos,
    pois Beethoven canta no Uirapuru!

    À frente
    das minhas asas,
    dança com graça
    a Ilha das Águias.
    Lá,
    elas procriam.
    De lá,
    elas vigiam.
    De lá,
    vêm
    o início
    e o fim.

    Eu vim... de lá!
    Pra profetizar, instaurar e mediar
    toda a forma de amar que está ali,
    na estelar sala de estar e, aí,
    dentro do teu amor, caro Leitor.



    PS: Prezado Madjer, cheguei aqui via o blog do Carpinejar. Então, desde já, minhas saudações poéticas e FELIZ ANO NOVO...

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